Nota
sobre a descriminalização do uso de drogas
“Escolhe, pois, a vida, para
que vivas, tu e teus descendentes” (Dt
30,19).
A
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, através do Conselho Episcopal
de Pastoral, reunido nos dias 25 e 26 de agosto, declara-se contrária à
descriminalização do uso de drogas. É importante a sociedade inteirar-se desta
temática, pois a dependência química representa um dos grandes problemas de
saúde pública e de segurança no Brasil.
O uso
indevido de drogas interfere gravemente na estrutura familiar e social. Está
entre as causas de inúmeras doenças, de invalidez física e mental, de
afastamento da vida social. A dependência que atinge, especialmente, os
adolescentes e os jovens, é fator gerador da violência social, provoca no
usuário alteração de consciência e de comportamento.
O consumo e o tráfico de
drogas são apontados como causa da maioria dos atentados contra a vida. A não
punibilidade do porte de drogas, tendo como argumento a preservação da
liberdade da pessoa, poderá agravar o problema da dependência química,
escravidão que hoje alcança números alarmantes. A liberação do consumo de
drogas facilitará a circulação dos entorpecentes. Haverá mais produtos à disposição,
legalizando uma cadeia de tráfico e de comércio, sem estrutura jurídica para
controlá-la. O artigo 28 da Lei 11.343, ao tratar do tema, não prevê reclusão,
mas a penalização com adoção de medidas de reinserção social. Constata-se que o
encarceramento em massa não tem sido eficaz.
É preciso desenvolver a prática da
justiça restaurativa. Isso não significa menor rigor para aqueles que lucram
com as drogas. O
caminho mais exigente e eficaz, a longo prazo, é a intensificação de campanhas
de prevenção e combate ao uso das drogas, acompanhado de políticas públicas nos
campos da educação, do emprego, da cultura, do esporte e do lazer para a
juventude e a família. O Estado seja mais eficaz nas ações de combate ao
tráfico de drogas.
Com a
descriminalização das drogas, a crescente demanda de tratamento da parte de
incontáveis dependentes aumentaria muito. A Igreja Católica, outras
instituições religiosas e particulares, por meio de casas terapêuticas,
demonstram o compromisso com a superação da dependência química e recuperação
dos vínculos familiares e sociais ao acolher, cuidar e dar oportunidade de vida
nova a milhares de adolescentes, jovens e adultos através da espiritualidade,
do trabalho e da vida de comunidade.
Confiantes
na graça misericordiosa de Deus e na materna proteção da Virgem de Aparecida,
conclamamos o Estado e o povo brasileiro à necessária lucidez no trato deste
tema tão grave para a sociedade.
Brasília,
26 de agosto de 2015.
Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília-DF, Presidente da CNBB
Dom Murilo S. R. Krieger, Arcebispo de São Salvador da
Bahia- BA, Vice-presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar de Brasília-DF,
Secretário-Geral da CNBB

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