Em 2018 a FEICOOP celebra o Jubileu de 25 anos em articulação com outros eventos que
compõe a história da FEICOOP: 30 anos do Projeto Esperança-Cooesperança; 20 anos da Feira Estadual
de Economia Solidária; 10 anos do Fórum Mundial de Educação; 40 anos do Movimento Brasileiro de
Educadores Cristãos (MOBREC); 10 anos do Instituto Federal Farroupilha; 15 anos do Jornal Brasil de
Fato; 10 anos da Rádio Comunitária “Vozes da Esperança”; 150 anos da Congregação das Filhas do Amor
Divino; 160 anos de Emancipação Política de Santa Maria, 12 anos do Levante Popular da Juventude, 15
anos do Fórum Brasileiro de Economia Solidária e 75 anos da Romaria Estadual de Nossa Senhora
Medianeira.
Jubileu é tempo de resgate da memória, de celebração das lutas e das resistências e de
afirmação de compromissos. A FEICOOP expressa uma trajetória de construção coletiva, marcada pelo
diálogo, respeito, valorização das diferenças e protagonismo das pessoas envolvidas. Nestes 25 anos
recordamos a contribuição de um conjunto de mulheres e homens, integrantes dos empreendimentos
de economia solidária, dos movimentos populares, das organizações e entidades sociais vinculadas à
economia solidária e “semeadores/as de esperança” como Dom Ivo Lorscheiter, Prof. Paul Singer e
Sandra Magalhães entre outros/as, que semearam e cultivaram um projeto diferente de organização
popular voltado à construção da sociedade do “bem-viver”.
Participaram desta 25ª Edição da FEICOOP, de acordo com a equipe organizadora 302 mil
pessoas, representação de 3.500 empreendimentos organizados em rede, 583 municípios, 26 estados
brasileiros e Distrito Federal; fóruns locais e macrorregionais de economia solidária no país; Fórum
Brasileiro de Economia Solidária; entidades públicas e privadas; Universidades; Fundos Solidários; Redes
Nacionais e Internacionais de Economia Solidária; representação de 25 países e cinco continentes.
Foram expostos mais de 10 mil variedades de produtos oriundos da Economia Solidária.
Resgatar a memória é construir resistências! Neste sentido, a celebração do Jubileu da FEICOOP
nos alerta para a atual conjuntura que vem sendo marcada pelo golpe político-midiático-institucional
sofrido pelos/as trabalhadores/as expresso entre outros:
(1) na reforma trabalhista, reforma
previdenciária (em curso) e implementação da Emenda Constitucional nº 95/2016, que institui um Novo
Regime Fiscal, o qual repercute diretamente na violação de direitos sociais, especialmente, no campo da
saúde e da educação;
(2) na criminalização das lutas, movimentos e resistências dos/as
trabalhadores/as;
(3) nas diferentes formas de violência que silenciam e exterminam os povos
indígenas, quilombolas e afro descendentes, pessoas em situação de rua, juventudes, LGBTs,
feminicídio, entre outros;
(4) na “vampirização” dos bens da humanidade promovida pelas elites
dominantes, que exploram a água, a terra, o ar, as plantas,as sementes, e as espécies, de forma
desmedida em nome dos privilégios de corporações nacionais e internacionais que favorecem a
acumulação capitalista;
(5) na crise da frágil experiência democrática vivenciada nos países da América
Latina que demarca um conjunto de retrocessos no campo das politicas institucionais;
(6) no Projeto de
Lei Nacional de Economia Solidária que foi desconfigurado pela relatoria do Senado, representando hoje
uma ameaça ao movimento de Economia Solidária;
(7) nos posicionamentos retrógrados do poder
2
executivo, legislativo e judiciário que ferem as garantias constitucionais e as liberdades democráticas;
(8) no conservadorismo, presente na sociedade brasileira, expresso por meio do racismo, do machismo,
da misoginia, da intolerância, da indiferença e do extermínio das populações pobres.
O Jubileu é tempo de celebração e de afirmação das lutas construídas coletivamente por
mulheres e homens. Nesta 25ª FEICOOP se destaca entre outros: a realização da Audiência Pública sobre
“Legislação das agroindústrias familiares e as perspectivas da agricultura familiar”; o lançamento da
Frente Parlamentar em Defesa dos Alimentos Tradicionais e Artesanais e do Jornal Brasil de Fato do Rio
Grande do Sul e do Filme Galo Missioneiro; as exposições da Associação de Arte e Cultura Negra - ARA
DUDU e LAUDATO SI – Cuidado com a Casa Comum; a organização do espaço UBUNTU “Eu sou porque
nós somos”, promovido pela Cooperativa de Trabalho e Desenvolvimento dos Povos Tradicionais de
Matriz Africana (COOPTMA-RS), a realização de Oficinas do complexo dos Povos Tradicionais de Matriz
Africana e da Oficina “Repensar Coletivo do Artesanato da EcoSol”; Reunião Temática da Comissão
Nacional para Implementação da Convenção Quadro para Controle do Tabaco (CQCT: Art.º17 e 18);
Reunião sobre Metodologia de Trocas Diretas entre Grupos de Consumo Responsável Brasil, Uruguai e
Argentina; Reunião Ampliada do Fórum Brasileiro de Economia Solidária; Encontro Regional da Escola
Cristã de Educação Política; Encontro da Rede Feminista; Encontro dos Fundos Solidários; Encontro da
Juvesol; 22º Encontro Nacional da Rede de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas; Encontro:
Mulheres Economia Solidária, construção do conhecimento e desenvolvimento de tecnologia social – a
(in)visibilidade das mulheres; Seminário de Comercialização da Rede de Economia Solidária Feminista;
Seminário Educação, Economia Solidária e Ética Planetária; Seminário Nacional de Integração de
Cooperação Solidária; Seminário Nacional de Atualização do Plano de Vida da Rede Feminismo e
Economia Solidária; Seminário dos/as Catadores/as e pessoas em situação de rua e o 14º
Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude.
É tempo de afirmação de compromissos para a construção de um outro projeto societário – a
sociedade do bem-viver! Neste Jubileu de 25 anos da FEICOOP, os/as participantes assumem com
ousadia e protagonismo a efetivação dos seguintes compromissos:
Incidir para a criação de uma Lei específica que viabilize os empreendimentos voltados a
produção de alimentos tradicionais e artesanais.
Fortalecer as cadeias de produção, com fornecimento de insumo da Economia Solidária, que
estejam na perspectiva agroecológica e orgânica, sem trabalho explorado, sem patrão.
Promover trocas solidárias e intercambiar produtos fruto de lutas sociais como experiência
prática e pedagógica para materializar o projeto de economia solidária.
Fortalecer e promover os bancos comunitários, fundos solidários e cooperativas de crédito como
estratégia de desenvolvimento local e regional.
Fomentar o debate sobre educação e questões migratórias, nas Universidades, com a
participação de imigrantes.
Incidir para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em especial da
Coleta Seletiva, com inclusão social dos/as catadores/as.
Contribuir para a organização nacional da União das Cooperativas de Catadores do Brasil –
UNICATADORES.
Incidir junto ao poder público para que reconheça o serviço ambiental prestado pelos/as
catadores/as de materiais recicláveis.
Implementar políticas públicas intersetoriais, em especial para pessoas em situação de rua e
catadores/as de materiais recicláveis.
Assumir o papel do movimento de economia solidária no controle social de políticas públicas.
3
Fortalecer o protagonismo da Rede Nacional de Juventudes e Economia Solidária e pautas
específicas das lutas feministas, antipatriarcal, antirracista e antiLGBTfóbica.
Incidir para a construção de um Plano de Emergências para recolocar o país no caminho, a
revogação das Reformas, principalmente a Reforma Trabalhista e a Realização de uma Assembleia
Nacional Constituinte.
Reforçar e ampliar o diálogo entre movimentos como os de agroecologia, economia solidária,
educação do campo, movimentos de mulheres, quilombolas, movimento de catadores/as.
Afirmar o exercício da democracia direta como direito e condição imprescindível à cidadania.
Promover o debate sobre o Programa de Artesanato Brasileiro enfatizando a necessidade de
reflexão sobre as expectativas reais e futuras na definição do que é ou não é artesanato, de quem é ou
não é artesão e a representação do artesanato enquanto atividade cultural regional.
Fortalecer a difusão do Jornal BRASIL DE FATO, para o Rio Grande do Sul, como estratégia de
viabilizar a comunicação como direito humano.
Publicizar a “Carta de Economia Solidária ao presidente Lula”, em defesa do exercício da
democracia.
Garantir a manutenção do Projeto de Lei de Economia Solidária em consonância com os anseios
do movimento de economia solidária, em contraposição às manobras e manipulações que imputam
perda de direitos, no âmbito da economia solidária, advindas do Senado.
Fortalecer os trabalhadores e as trabalhadoras como protagonistas do movimento de economia
solidária e com autonomia frente ao poder público.
Denunciar os projetos societários em disputa na conjuntura atual, no Brasil, na América Latina e
em âmbito internacional, alertando para tendências conservadoras, que incitam a violação de direitos
como um fenômeno natural no cenário sócio-político.
Assumir o compromisso com a organização e participação na 7ª. Feira Nacional da Red de
Comercio Justo del Litoral, em Rosario- Argentina, que será realizada em abril de 2019.
Fortalecer estratégias para avançar conjuntamente enquanto empreendimentos dos países do
Mercosul para a criação de uma legislação que regule o comércio justo e solidário entre os países.
Fortalecer as ações em rede, as trocas de produção autogestionária entre Argentina, Uruguai e
Brasil, superando os entraves impostos pelo sistema e afirmando o consumo como ato politico nos
territórios da América Latina.
Visibilizar a produção de conhecimento técnico, tecnológico e acadêmico das mulheres na
economia solidária.
Resgatar a “vida em comunidade”, os espaços de diálogos e de trocas, que contribuam para a
construção de um pensamento crítico, o fomento a novas formas de produzir e de consumir, como ato
político transformador e o fortalecimento da organização dos/as trabalhadores/as.
“Cuidar do planeta e da natureza
fazer da justiça nosso bem maior
da casa comum,
a nossa mãe terra
saber que é possível um mundo melhor”.
(Antônio Gringo)
Santa Maria, 15 de julho de 2018.
Nenhum comentário:
Postar um comentário