sábado, 20 de outubro de 2018


Procurem o amor... (1Cor 14, 1), a missão!


Amig@s, sejamos saudados pela paz e alegria que a presença do amor gera em nossas vidas. Quero neste mês de outubro, mês dedicado a intensificarmos as nossas ações e orações para a missão, convidá-los para uma conversa e partilha destes dez meses de missão em Moçambique, também gostaria de que pudéssemos refletir juntos sobre o chamado que recebemos e a missão que assumimos perante a experiência de encontro com o Evangelho, encarnado na vida dos nossos próximos.




Sou Rita de Cássia Patron Bandera, vinda da Diocese de Bagé- RS. Atualmente, moro no Distrito de Moma, Província de Nampula, Moçambique e integro a Equipe Missionária do Projeto Igrejas Solidárias do Regional Sul 3, desde janeiro deste ano de 2018.

 Ao iniciar, gostaria de contar para vocês que nestes tempos da missão em Moçambique muitas experiências vão me mostrando ainda mais o mistério de seguir e anunciar Jesus Cristo e por isso desejo fazer ecoar meu sentir e meu viver por terras africanas para todos vocês que rezam e me acompanham de uma forma muito acolhedora e cristã.

 A primeira experiência e motivo de alegria é o sentido de comunidade e partilha que o povo Macua assume como estilo de vida. Aqui, percebe-se com mais intensidade a força da partilha e a generosidade de cada um e cada uma, que colocam em comum o que plantam e o que colhem, na confiança de que assim todos serão saciados.

Em seguida, alegro-me duplamente ao perceber a força das mulheres, ao encontrarem maneira de alimentarem suas famílias, de manterem nos pés e no corpo o ritmo da dança/vida e no ventre a fartura da Criação. Benditas mulheres! Corajosas e equilibradas mulheres moçambicanas!

Já, no rosto das crianças é que vibram os sorrisos contagiantes que embalam minha vida e me mostram que com atenção tudo pode ser um brinquedo ou uma brincadeira causando sempre felicidade e diversão. Elas, com elas e por elas a vida se faz caminho de resistência e luta. Um caminho que procura o amor, a luta e a igualdade, num país ainda sofrido pela colonização portuguesa e pela exploração daqueles que costumam ferir a humanidade com seus poderes civilizatórios. Desta forma, a cada vida que se gera, nasce com ela o desejo de um mundo melhor!

Quanto aprendemos com os macuas, quanto recebemos deste povo que desde o raiar do sol se dispõe a valorizar as maravilhas por Deus ofertadas!

 Por aqui, nossa missão se concretiza em duas paróquias, com mais de 150 comunidades, que se organizam em Zonas Pastorais para melhor desempenhar suas atividades. A Igreja é ministerial, ou seja, leigos e leigas, batizados assumem sua missão de anunciar, denunciar e testemunhar o Evangelho juntamente com os padres e religiosas presentes na missão de Moma. Todos recebem formações anuais e todas as decisões e planejamentos são tomados nos conselhos paroquiais, em que participam os animadores dos ministérios e a equipa missionária. Uma Igreja preocupada com a vida é circular, é capaz de ouvir a todos e todas na busca de juntos vencermos as injustiças sofridas principalmente na educação e na saúde dos moçambicanos.


Logo, nos encontros com este povo artesão do amor, não é a pobreza que impacta, mas a força e a resistência dos macuas em mesmo com fome, buscar a justiça, a quem o Papa Francisco nomeia de santos na sua encíclica sobre santidade. Fome de justiça, fome de igualdade, fome de verdade, fome de um Deus que quer vernos felizes e que está presente nas lindas celebrações cheias de vida e dança, garantindo uma liturgia que comunica e escuta atentamente a Palavra da Salvação. Essa fome, é fome de luta e vida, é a maneira mais profética de encontrar Jesus em cada irmão e irmã. A fome do amor que nunca sacia, que sempre se revela no pequenino e que nos detalhes vai nos mostrando que a missão é pertencer a Deus e como povo Dele sermos profetas do amor e coerentes na luta.


Assim, a missão, o chamado à missão, sempre nos compromete com a busca do amor na defesa da dignidade humana que passa pelo direito a Terra, Trabalho e Teto. Sabemos que não podemos permanecer numa vida acomodada, indecisa, em que, só nos dispomos a ajudar nossos próximos quando nos sobra o tempo, ou quando queremos arranjar um espaço no céu. A missão exige de nós, seja lá o lugar onde estamos, um estilo de vida: de partilha, de comunidade, de respeito às mulheres e homens, de educação às crianças, de direitos e justiça à todos. Missionários são sempre capazes de perceber o desejo de Deus e colocá-lo em prática, pelas orações e atitudes proféticas.

Neste sentido, cada encontro, cada partilha, cada momento em Moçambique me faz acreditar que a missão só faz sentido se ousamos viver e procurar o amor e a profecia. Lembremos que somos todos missionários, que é Deus que nos conduz e que juntos podemos procurar e emanar o bem-querer a toda criatura!



Antes de terminar esta partilha, quero reforçar o poder democrático brasileiro que temos como cidadãos e o dever cristão que assumimos na hora de elegermos conscientemente o nosso próximo presidente no dia 28 de outubro. Vejamos as propostas, lembremos das ações e palavras de Jesus e votemos em quem está do lado dos mais pobres e desfavorecidos, pois é desse lado que Jesus está! Sejamos coerentes com a fé que professamos! Bom voto!

Desejo, que cada dia mais, sintamos arder nosso coração, e que Maria, testemunha e profeta do amor, persista a espalhar a contínua novidade que é o Evangelho, que é Jesus Cristo, e que Ele não pare de nos surpreender, dando-nos a possibilidade de deixarmos de lado tudo o que exclui, oprime e capitaliza a vida, e seguirmos com Ele a procura do amor!
Um forte e resistente abraço!

Espero suas inquietações neste post, para podermos fazer do diálogo um espaço de cultivarmos o desejo missionário. Confira mais informações da missão adgentes na nossa página do facebook: Missão do RS Moçambique.
Rita de Cássia Patron Bandera- Moma- Nampula- África 2018.



Um comentário:

Unknown disse...

Oi prima que linda tua historia me emocionei continua assim mil bjs saudades😘😘

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