Procurem o amor...
(1Cor 14, 1), a missão!
Sou Rita de Cássia Patron
Bandera, vinda da Diocese de Bagé- RS. Atualmente, moro no Distrito de Moma,
Província de Nampula, Moçambique e integro a Equipe Missionária do Projeto
Igrejas Solidárias do Regional Sul 3, desde janeiro deste ano de 2018.
Ao iniciar, gostaria de
contar para vocês que nestes tempos da missão em Moçambique muitas experiências
vão me mostrando ainda mais o mistério de seguir e anunciar Jesus Cristo e por
isso desejo fazer ecoar meu sentir e meu viver por terras africanas para todos
vocês que rezam e me acompanham de uma forma muito acolhedora e cristã.
A primeira experiência e
motivo de alegria é o sentido de comunidade e partilha que o povo Macua assume
como estilo de vida. Aqui, percebe-se com mais intensidade a força da partilha
e a generosidade de cada um e cada uma, que colocam em comum o que plantam e o
que colhem, na confiança de que assim todos serão saciados.
Em seguida, alegro-me
duplamente ao perceber a força das mulheres, ao encontrarem maneira de
alimentarem suas famílias, de manterem nos pés e no corpo o ritmo da dança/vida
e no ventre a fartura da Criação. Benditas mulheres! Corajosas e equilibradas
mulheres moçambicanas!
Já, no rosto das crianças
é que vibram os sorrisos contagiantes que embalam minha vida e me mostram que
com atenção tudo pode ser um brinquedo ou uma brincadeira causando sempre
felicidade e diversão. Elas, com elas e por elas a vida se faz caminho de
resistência e luta. Um caminho que procura o amor, a luta e a igualdade, num
país ainda sofrido pela colonização portuguesa e pela exploração daqueles que
costumam ferir a humanidade com seus poderes civilizatórios. Desta forma, a
cada vida que se gera, nasce com ela o desejo de um mundo melhor!
Quanto aprendemos com os
macuas, quanto recebemos deste povo que desde o raiar do sol se dispõe a
valorizar as maravilhas por Deus ofertadas!
Por aqui, nossa missão se concretiza em duas
paróquias, com mais de 150 comunidades, que se organizam em Zonas Pastorais
para melhor desempenhar suas atividades. A Igreja é ministerial, ou seja,
leigos e leigas, batizados assumem sua missão de anunciar, denunciar e
testemunhar o Evangelho juntamente com os padres e religiosas presentes na
missão de Moma. Todos recebem formações anuais e todas as decisões e planejamentos
são tomados nos conselhos paroquiais, em que participam os animadores dos
ministérios e a equipa missionária. Uma Igreja preocupada com a vida é
circular, é capaz de ouvir a todos e todas na busca de juntos vencermos as
injustiças sofridas principalmente na educação e na saúde dos moçambicanos.
Logo, nos encontros com
este povo artesão do amor, não é a pobreza que impacta, mas a força e a
resistência dos macuas em mesmo com
fome, buscar a justiça, a quem o Papa Francisco nomeia de santos na sua
encíclica sobre santidade. Fome de justiça, fome de igualdade, fome de verdade,
fome de um Deus que quer vernos felizes e que está presente nas lindas
celebrações cheias de vida e dança, garantindo uma liturgia que comunica e
escuta atentamente a Palavra da Salvação. Essa fome, é fome de luta e vida, é a
maneira mais profética de encontrar Jesus em cada irmão e irmã. A fome do amor
que nunca sacia, que sempre se revela no pequenino e que nos detalhes vai nos
mostrando que a missão é pertencer a Deus e como povo Dele sermos profetas do
amor e coerentes na luta.
Assim, a missão, o
chamado à missão, sempre nos compromete com a busca do amor na defesa da
dignidade humana que passa pelo direito a Terra,
Trabalho e Teto. Sabemos que não podemos permanecer numa vida
acomodada, indecisa, em que, só nos dispomos a ajudar nossos próximos quando
nos sobra o tempo, ou quando queremos arranjar um espaço no céu. A missão exige
de nós, seja lá o lugar onde estamos, um estilo de vida: de partilha, de comunidade,
de respeito às mulheres e homens, de educação às crianças, de direitos e
justiça à todos. Missionários são sempre capazes de perceber o desejo de Deus e
colocá-lo em prática, pelas orações e atitudes proféticas.
Neste sentido, cada
encontro, cada partilha, cada momento em Moçambique me faz acreditar que a
missão só faz sentido se ousamos viver e procurar o amor e a profecia. Lembremos
que somos todos missionários, que é Deus que nos conduz e que juntos podemos
procurar e emanar o bem-querer a toda criatura!
Antes de terminar esta
partilha, quero reforçar o poder democrático brasileiro que temos como cidadãos
e o dever cristão que assumimos na hora de elegermos conscientemente o nosso
próximo presidente no dia 28 de outubro. Vejamos as propostas, lembremos das
ações e palavras de Jesus e votemos em quem está do lado dos mais pobres e
desfavorecidos, pois é desse lado que Jesus está! Sejamos coerentes com a fé
que professamos! Bom voto!
Desejo, que cada dia
mais, sintamos arder nosso coração, e que Maria, testemunha e profeta do amor, persista
a espalhar a contínua novidade que é o Evangelho, que é Jesus Cristo, e que Ele
não pare de nos surpreender, dando-nos a possibilidade de deixarmos de lado tudo
o que exclui, oprime e capitaliza a vida, e seguirmos com Ele a procura do
amor!
Um forte e resistente
abraço!
Espero suas inquietações
neste post, para podermos fazer do diálogo um espaço de cultivarmos o desejo
missionário. Confira mais informações da missão adgentes na nossa página do
facebook: Missão do RS Moçambique.
Rita de Cássia Patron
Bandera- Moma- Nampula- África
2018.



Um comentário:
Oi prima que linda tua historia me emocionei continua assim mil bjs saudades😘😘
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